"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos ,um livro mais ou menos.

Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia."



- Martha Medeiros -

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

-TEMPORADA NO RIO DE JANEIRO-




Cheguei no serviço (em SAMPA) ligeiramente atrasada. Nada demais! A Reunião nem tinha começado! Quando entrei a estranha apatia que sempre caracteriza todo início de dia, tinha sido substituída por um alvoroço. Grupinhos conversando aqui e ali... todos muito excitados! Passei direto para a cafeteira, lógico que com o alvoroço ninguém teve a brilhante idéia de fazer um café. Peguei o pó e parei pensando se não era melhor fazer um chazinho de camomila com maracujá e por “descuido” deixar cair um vidro de Maracujina (calmante fitoterápico à base de maracujá) dentro... mas optei pelo café.
O Chefe entra na sala todo feliz com um copinho cheio de papeizinhos, faz um lindo discurso sobre igualdade de oportunidades e começa a sacar os papéis de dentro do copo... um sorteio. Só então reparei no quadro de avisos que tinha 6 retângulos vazios. E onde a coordenadora ia escrevendo os nomes. Como cheguei atrasada, cutuquei a colega de lado para saber que sorteio era aquele. Na hora o chefe pára e em tom de repreensão me pergunta se não posso conter minha ansiedade... na aproveitei e perguntei a ele de que se tratava pois eu havia chegado atrasada e não estava entendendo... Tarde demais!
O próximo nome foi o meu, e mais 3. Fim do sorteio! Todos nós vamos para o Rio de Janeiro fazer um curso na de capacitação UERJ. Acabaram com meu dia! Fui até o chefe pra ver se conseguia ser transferida e ele me diz que colocou meu nome 3 vezes só porque queria que eu realmente fosse! BIZARRO!

Calor de 40°... suor... mais calor... trânsito infernal, onde ninguém respeita seta... buracos e mais buracos... Não é possível... colei chiclete na cruz! Só pode! Pra ser castigada assim! E o pior... O PIOR DE TUDO é que no Rio tem PRAIA, na praia tem areia... ECA! Meu guarda roupa preto de salto alto e meia fina fumê não era nada apropriado para o calor tórrido do Rio de Janeiro!
Lá fui eu pras compras! 7 dias! 7 combinações diferentes pra trabalhar, mais umas 3 específicas para se tiver alguma saída a noite e mais duas sobrando. É roupa pra caramba! Vestidinhos, blusinhas, sainhas, uma bermudinha com colete social, sandalinhas e 2 rasteirinhas! MELECA!!!! Ficou uma fortuna! Em casa fiz a mala, acrescentei uma roupa preta-SAMPA bijus, lápis de olho, batom, produtos de higiene, prendedores de cabelo (todos novos) acessórios e saí correndo pra manicure, depilação... (ainda bem que não preciso de chapinha nem de escova!)nem água bebi... nem xixi eu fiz! Cheguei no aeroporto em cima do horário. Bem comportada, com roupa de calor, uma mala média, o case do note e minha bolsa. Quando encontrei as meninas... tinha uma com 3 malas grandes, contando que teve que sentar na última pra fechar! Credo! Quantos meses vão ficar no Rio??
Fiz o check in e fui fazer xixi. UFA! Que alívio! Sentei e pedi um café e um chocolate. Tá!Não é muito saudável... mas vai melhorar! Pedi uma Coca Cola pra levar!KKKK! As meninas literalmente neuróticas com suas supostas barrigas “enormes”, peitos e bundas também! Só tomaram água! Espero que elas saibam equilibrar esse lance corporal senão vou acabar tendo que levar alguma delas em algum hospital no Rio... isso já vai ser o inferno na Terra!
Ponte aérea... uma delas passou mal e vomitou... ECA!
Chegamos ao Rio... uma vontade enorme de ligar pra um amigo que é da realeza... ele tem um Condado... RSRSRS! Mas Não consegui entrar em contato durante toda a estadia. Fui para o hotel...
Bom... vocês no mínimo estão pensando por que estou contando isso tudo... na verdade resumindo o curso: Foi uma droga, não aprendi nada que já não soubesse... a companhia se mostrou delirante... as meninas achavam que todos os caras dos barzinhos estavam dando mole pra elas e levaram um monte de tábuas na cara! Que feio! Depois passaram a dizer que os cariocas é que eram frouxos porque não tinham coragem de chegar junto, já que supostamente já sabiam que elas iam dar um fora neles... KKKKKKKKKKKK!
Tá resumido? Ótimo! Vamos à parte que me levou a escrever o conto... na minha turma tinha uma ruivinha... mais ou menos 1,50m, olhos verdes e com sardas verdadeiras nas maçãs do rosto... acho que era ruiva verdadeira pois sua pele se assemelhava muito à minha... ela era do Rio Grande do Sul... descobri pelo sotaque... uma voz baixa e doce, aluna compenetrada e ao contrário de mim anotava tudo que o professor 50tão e bonitão falava. Ele tinha uma voz grave e profunda, olhava os alunos olho no olho, mantinha a turma em silêncio e compenetrada só com a força que emanava dele... Uauuuu! Que homem! Então me decidi... ou ficava com ele... ou com ela... com ninguém mais! Se desse ficava com os dois! Isso sim seria um curso perfeito!
Comecei a investir nela... vai que era hétero! Sentei na mesa com ela sem pedir licensa... encarei... olho verde em olho verde... até que ela desviou... pronto! Era minha! Estendi minha mão e disse meu nome... ela a pegou e respondeu com o dela... segurei a mão dela sem soltar pronta pra saber se ela queria que soltasse... se houvesse qualquer indício de que ela queria que soltasse sua mão soltaria imediatamente, mas comecei a acariciar a mão com o dedão e comentei... gostei de seu perfume... Angel, certo? Ela ficou deliciosamente bem impressionada... eu também uso... mas só em ocasiões especiais... no trabalho uso Humor... pra manter humor em alta, senão acabo com tudo... KKKK... ela riu e levantou pra cheirar meu pescoço... “Adoro Humor... e na sua pele ficou delicioso!” olhos nos olhos... sorri... “Que bom que gostou... quer provar?” ou levava um tapa na cara e todo mundo ia dizer horrores, ou ganhava um sim ou um talvez... ela ficou vermelha de vergonha, soltou minha mão... abaixou a cabeça... “Como você sabia que eu sou lésbica? Eu dou tanto assim na cara?” ri gostoso da menina “Não tinha a menor idéia que era lésbica... só resolvi investir... e deu certo!” ela riu, eu também, depois do almoço sentamos juntas na sala e eu atormentando ela com sopros na sua nuca, carícias nas mãos e nas coxas escondidas atrás de uma sainha deliciosa... tudo muito discreto... mas tremendamente agradável... levei ela à loucura... ela chegou uma hora que falou “Não tenho mais nem idéia do que ele está falando... dá pra você parar?” eu ri “Não sabe do que ele tá falando? E tá pensando em que ruivinha? Em mim? Em nós? Num Motel? Em algo mais pesado? Mais doce?” ela ficou roxa de vergonha... “Em tudo isso...” ri novamente “Belos pensamentos!” na mesma hora parei de mexer com ela para o professor não pegar no nosso pé... afinal, já tinha ganhado a parada... ela tava cheia de tesão... então eu podia agora dar toda a minha atenção ao professor e fingir ser a aluna mais aplicada da turma... fiz até perguntas e fingi copiar as respostas.
Faltando 5 minutos para o término da aula escrevi no caderno... “Quer jantar comigo?” e a resposta veio também no caderno “S” ri “Vamos juntas?” outro “S”. A aula acabou saímos batendo papo, uma ao lado da outra, das minhas antigas estadias no Rio, entrei no táxi e falei “Rancho das Morangas” o lugar é paradisíaco,perto da Floresta da Tijuca, com uma vista linda e um camarão na moranga maravilhoso, acompanhado de um vinho branco português e com sobremesa de morangos que foram deliciosamente divididos um a um nas duas bocas ansiosas!!!
Como eu estava em grupo e ela sozinha fomos para o hotel dela... Logo depois de passarmos pela porta do quarto single, segurei seu cabelo e puxei para perto, num gesto delicado “Quero te beijar!” o beijo saiu imediatamente, logo depois as roupas, depois estávamos nuas na cama, lambendo, sugando, chupando, mordendo, acariciando, cada curva, cada vale, cada monte, cada centímetro de pele nua... a cama era pequena e estávamos escandalosamente próximas, praticamente uma grudada na outra, os suores se misturando os cabelos numa linda mistura de loiro e ruivo e os gemidos enlouquecidos... descobri que ela era bastante ruidosa na hora “H”, e achei delicioso!
Depois grudamos ainda mais nossos corpos e nossos cansaços e deitamos para recuperar o fôlego. Depois de 1 hr levantei, tomei um banho e me vesti para voltar ao meu hotel, quando reparei que ela estava chorando “Por que choras meu anjo?” ela enxugou as lágrimas “Não estou chorando!” sentei na cama “Está sim! Posso saber por que?” me ajeitei para escuta-la “É que já estou acostumada a ser usada e deixada para trás pelos meus namorados, mas não esperava isso de você!” ri às gargalhadas “Não estou te abandonando e adoraria passar as próximas 5 noites com você... mas não posso chegar amanhã toda amassada desse jeito... ia criar muitas especulações! Concorda?” ela pensou um pouco “É verdade, tchê! Você tem razão guria, mas volta hoje a noite? E traz roupa, pra passar a noite comigo?” respondi imitando o sotaque dela “Claro guria! Com prazer!” nós rimos e voltei de taxi para o meu Hotel.
Passei todas as noites seguintes no Hotel com ela!
Bah, tchê! Que delícia de guria!
Que curso interessantíssimo!
Agora tenho viagem marcada pra Cambará do Sul, nas minhas férias! Cambará que me espere! Pois aí vou eu!
-Green Eyes – The Lesbian-
-Hope Subway-

domingo, 3 de julho de 2011

-PONTE AÉREA-


Minhas mãos escorregam de uma montanha até um vale cor de sol...
depois penetram a gruta úmida e escorregadia
que jaz aberta ao lado da minha...
uma impedindo a outra de se fechar totalmente,
uma roçando na outra e ainda provocando tremores...
mãos que passeiam em curvas, grutas, vales e
montanhas úmidas e festivas... 1 mão... 3, 4!
Mãos que não se cansam de deslizar, provocar,
suavizar, apertar, torcer, tocar... e lábios!
Lábios cheios de gemidos de dor
e prazer misturados a gemidos loucos
de que não se tem mais conta...
tudo se foi...
tudo foi feito... nada a ser dito!
Os olhos contam sua pópria história...
e as mãos... as mãos que deslizam
e que gritam por manter esse doce... prazer!
Ansiedade. Ansiedade agora que o avião mostra o sinal de apertar os cintos. Não! A ansiedade vem de muito antes... da conversa por e-mail, do conhecimento por msn, das brincadeiras “inocentes”, sempre deixando no ar minha opção sexual... até que BAM! Se de meu lado as brincadeiras eram constantes e o instinto sexual escorria pelas pernas... e a ansiedade imperava, do outro sempre a seriedade de quem sabe o que quer... e sabe exatamente como conseguir!
Até que veio o convite... tão esperado! Tão esperado?? Céus! Nem eu sabia que era tão esperado! A ansiedade em aceitar... o medo... as tantas vezes que pensei em arrumar uma desculpa... as borboletas no estômago... algumas vezes era o sonho do momento perfeito, dos corpos se unindo, dos suores se misturando, das mulheres sorrindo e se insinuando, sorrindo e chorando de prazer... outras vezes os medos... os monstruosos medos e preconceitos!
Mas venci tudo isso e entrei na internet para comprar a passagem... no meio da compra me sentia completamente humilhada achando que a máquina esfregava aquela palavra horrível na minha cara – LÉSBICA – e em todo o preconceito que vem junto com essa palavra... mais uma vez um exercício de respiração para se acalmar. Acabei de marcar a passagem. Não tinha muito tempo. Fiz algumas compras de roupas pois as estações mudavam de um país a outro... fiz as malas... mais ansiedade... o medo de ser aceita... de ser querida... de ser desejada...
Se você não é desejada no Itaim Bibi, entra no seu carro e em meia hora está em casa, com sorte com uma garrafa na mão para afogar as mágoas... mas do outro lado do oceano, se você não é desejada a humilhação é maior! Ou talvez seja igual, mas o consolo demora mais a chegar!
Chega o dia do embarque... pensei 10 mil vezes na roupa de viagem, tinha que ser prática mas que não amassasse muito para deixar-me apresentável, e com sorte ligeiramente bonitinha, ou desejável para a primeira vez que nos víssemos... ao descer no outro aeroporto. Optei por um vestido colorido, de malha que não amassa, bem leve com um casaquinho de linha na mão e um sapato nem alto nem baixo, meio larguinho, pois já tinha ouvido que a altitude faz os pés incharem. Entrei no avião e para meu susto notei que minha passagem era no meio de dois executivos todos paramentados, que não se conheciam mas que pareciam irmãos gêmeos em seus ternos caros, sapatos pretos e gravatas vermelhas, com seus notebooks abertos... fazendo sei lá o que... mas com cara de ser importante... ou podiam somente estar jogando Campo Minado! Eu tinha certeza que tinha comprado corredor! Que inferno! Só eu mesmo! Ficar Hooooras trancada entre aqueles dois truculentos mauricinhos!
Pedi licensa, coloquei minha bagagem de mão no guarda volumes acima deles, mas mantive o notebook... tinha a intenção de aproveitar e escrever alguns posts no word e depois coloca-los como “programados” para os dias que passaria em minha aventura. Pois fosse como fosse não teria cabeça para atualizar meu blog por alguns dias. Se tudo corresse bem, ficaria no mundo da “Lua” e não teria cabeça para escrever... se tudo corresse mal ficaria “Down” e também não teria cabeça para escrever!
Sentei-me... abri o notebook... os dois começaram a puxar papo... o primeiro perguntando pra onde eu ia – detalhe – era um vôo sem escalas!Só havia um destino possível, a não ser que ele imaginasse que eu ia abrir um pára-quedas e pular em pleno vôo! O segundo falando que o verde de meus olhos combinava com o vestido – detalhe – eu disse que o vestido era colorido... mas não tinha verde... era em tons de vermelho... UAU! Então eu devia estar parecendo uma vampira de olhos vermelhos... ou talvez a coelhinha da Páscoa!
Tentei não demonstrar interesse e continuar escrevendo. O que foi fácil pois parecia que ambos precisavam de assunto para puxar... e não tinham! Então depois de algumas investidas que tiveram como retorno o silêncio, ambos também silenciaram, deixando-me com meus escritos. Mas num vôo tão longo não pude me esconder atrás do notebook o tempo todo, depois de 8 posts lindos a noite chegou no avião... as comissárias passaram entregando pacotinhos com máscaras, fones de ouvido e abafadores de som.
Assim que fechei o note e coloquei na case os dois caíram matando, pelo jeito tiveram tempo para pensar no que falar, mas coloquei a máscara, os abafadores, joguei meu casaquinho por cima e dei um alto suspiro... ambos se calaram... e por incrível que pareça eu dormi! Acordei! Fiquei pensando na vida... imaginando nosso encontro... de tantas formas possíveis...vi tantas coisas passarem por aqueles olhos... carinho, desprezo, alegria arrependimento... quase chorei, no meio daquilo tudo! Mas então os dois urubus acordaram! Imediatamente me levantei, peguei a bolsa e fui pro banheiro!
Tem coisa pior que banheiro de avião? Lá dentro juro que fiquei imaginando como se dá um “pega” num banheiro daqueles... mas não cheguei a nenhuma conclusão... rsrs! Tirei o vestido e fiz uma higiene da melhor forma possível com lencinhos umedecidos, desodorante e umas gotinhas de perfume... em uma hora pousaríamos! Escovei os cabelos, até brilharem... olhei as bijus e saí do banheiro da melhor forma possível naquelas circunstâncias... acho que devia estar bonita pois ambos começaram a falar ao mesmo tempo... então abri meu celular, selecionei uma foto dela... nua e mostrei para ambos... eles me olharam de olhos arregalados, e excitados... perguntei “Bonita né?” eles falaram coisas desconexas concordando “É minha namorada!” o silêncio passou a imperar e durou até a descida no aeroporto que foi bem interessante pois eles entraram numa fila enorme para os brasileiros... eu saquei meu passaporte da comunidade européia e em dois minutinhos já tinha entrado no país com as minhas malas.
Ela me esperava no saguão, em pé, acenando, com um sorriso que ia de orelha a orelha... então vi que estava sendo MUITO bem recebida e que talvez... e só talvez eu tivesse feito muito bem em fazer esta viagem! Me aproximei dela... três beijinhos padrão... saímos puxando meu malão e minha malinha... fomos pra casa dela.
Ela tinha preparado um jantar delicioso... carne assada, com batatas, salada e um vinho português delicioso. Depois do jantar sentamos na sala e ela se ofereceu para tirar meus sapatos... antes que eu pudesse negar já estava sem os sapatos e ela massageando meus pézinhos... colocou uma manta sobre mim... dividiu o sofá e a manta, sentando bem pertinho e passou a mexer no meu cabelo, acariciando-o enquanto secávamos a garrafa de vinho.
Antes do fim do vinho já estávamos aos beijos... antes do fim da noite já estávamos nuas na cama dela...

Minhas mãos escorregando de uma montanha até um vale cor de sol...
depois penetrando sua gruta úmida e escorregadia
que jaz aberta ao lado da minha...

Nos amamos várias vezes ao dia... todos os dias... até o fim da minha estadia no exterior!
A volta foi triste... e solitária pois um enorme pedaço de mim não voltou... mas em compensação... trouxe um enorme pedaço dela dentro de mim... acabou sendo uma troca justa!
-Hope Subway-
Green Eyes – The Lesbian

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